quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Anatomia Vampirica




    O mito dos Vampiros tem sua origem na Transilvânia, da tradição magiar e em contos germânicos e húngaros. Tema que vem seduzindo os povos à séculos. O Vampiro criatura apavorante , que suga o sangue de suas vítimas, almas atormentadas, mortos vivos, regressos do inferno, devolvidos ao mundo para aterrorizar os cristãos tementes a Deus. Notáveis escritores se deixaram fascinas pelas fantásticas e sedutoras criaturas. Goete escreveu A Noiva de Corinto, em 1797, a primeira grande obra literária a tratar do tema. A balada Leonora de Burgher, traduzida por Sir Walter Scott 1794, voltou a trazer a notável criatura à tona, com grande ênfase. A origem do termo Vampiro é magiar. A primeira vez que surgiu na
Inglaterra foi em 1734, numa descrição de caráter ocultista: ''os corpos dos mortos, reanimados por espíritos das trevas, deixam suas sepulturas, depois da meia-noite, e vêm sugar o sangue dos vivos assim enfraquecendo-os e matando-os''.
   O Vampiro é reconhecido sob dois ângulos. Um como avatar de Satã, outro como o espírito de uma pessoa morta que regressa ao próprio cadáver, mas não pode se mostrar à luz. ''Beber'' o sangue é essencial para eles, sendo que a pessoa ao ser mordida, transformar-se também em Vampiro, passando a atacar outras pessoas, e dessa maneira, em pouco tempo, uma comunidade inteira pode se transformar numa sucursal dos Infernos. Para debelar esta espécie de ameaça, por transfusão de sangue, há o clássico remédio preconizado por Bran Stocker em 1897: durante o dia ,encontrar o local secreto onde os Vampiros se recolhem, em caixões, e enfiar-lhes estacas afiadas coração adentro, suportando os gritos lancinantes que emitem, aos borbotões de sangue, antes de se transformarem em nuvens de enxofre e cinzas.
  No Sudeste europeu no final do século XVII e início do século XVIII, documentos relatam o terror em Belgrado, no ano de 1725, na Sérvia em 1825, e em Danzig já em 1855. A existência de maníacos que, por qualquer aberração da natureza, praticam o canibalismo e sugam o sangue humano, ou ainda o fato de que morcegos autênticos do tipo que a zoologia classifica como vampiros, cheguem a medir 85 cm de envergadura, podem condicionar o aparecimento da idéia do vampiro com forma humana, personificação do mal. Ao final de 1974, uma estranha comitiva de 28 estudiosos, partiu para a Transilvânia, Romênia, rumo ao castelo de Vlad III, o famoso Conde Drácula. Entre eles, um nobre escocês, que diz descender do terrível príncipe romeno do sec. XV. Esse lord, vasculhou sua árvore genealógica até descobrir a condessa romena-húngara Elisabeth Bathory, que viveu entre os séculos XVI e XVII e foi considerada uma autêntica Vampira, banhando-se no sangue de virgens para manter-se sempre jovem. Ela seria descendente direta do Conde Drácula. Dois estudiosos do assunto, Raymond McNally e Radu Florescu, provaram a existência de um príncipe sanguinário da Valáquia, no ano de 1448, com o nome de Vlad Tepes ou Vlad Drácula, o Empalador, cujas façanhas abomináveis teriam inspirado o autor inglês Bram Stocker, na concepção da obra que dera fama aos Vampiros em 1897.
    Vlad Dracul freqüentava a corte do Imperador de Luxemburgo, dele recebeu as insígnias da Ordem do Dragão, que em romeno significa Dracul, confirmando seu título perpétuo de príncipe da Valáquia, senhor feudal de várias províncias até a Transilvânia. Os nobres Dráculas, deveriam, daí por diante, combater ,sob o Escudo do Dragão, contra os infiéis turcos otomanos e procurar reaver o trono ocupado por Alexandre Aldea, um de seus primos a quem devotavam um sanguinário ódio familiar. Vlad conseguiu derrubar Alexandre e assumir o poder em 1437. Fortificou a cidade, o castelo, e suas atrocidades lhe valeram a alcunha de Vlad Tepes, o Empalador. A ferocidade desse nobre da Valáquia serviu para que muitas lendas fossem colecionadas em torno de seu nome. Ele mordia o pescoço das vítimas e bebia-lhes o sangue, acreditando assim, revigorar-se e resistir à velhice.
    O fato é que a lembrança de seu nome ainda assombra os camponeses da Transilvânia e excita a imaginação de muitas pessoas no mundo. Ainda hoje, na Hospedaria Coroa Dourada, ao sul da Valáquia, essas histórias são contadas.

SANGUE
    Desde os primórdios o sangue representa como ícone, o símbolo da vida. O sangue correndo por nossas artérias e veias, sempre significaram a continuidade do viver. A perda deste em demasia, significa a perda de consciência, respiração, movimentos e por que não dizer, a vida. Cabe ainda dizer que apenas nos vivos, este sangue flui, nos mortos, tal sangue perde esta mobilidade e coagula, sendo mantido no próprio corpo durante a putrefação. Durante toda história o sangue possue algum significado na área religiosa e ou relacionada com sacrifícios, por exemplo, na era pagã, os nossos antepassados, utilizavam deste como sacrifício, provocando o seu derramamento para seus Deuses. Até mesmo hoje em dia o sangue ainda tem essa importância, basta referirmos a Igreja Católica, onde na Eucaristia temos como representação o corpo e o sangue de Cristo.
    Parece, então, apropriado que uma criatura, que é a antítese entre a vida e a morte, receba seu vigor e vitalidade de sangue oriundos de seres humanos. Para o vampiro, o ato de se alimentar do sangue é o seu viver, seu cotidiano, sua necessidade. Independente da origem ou da cultura deste.
    Com o avanço dos tempos, e concomitantemente com a disponibilidade da tecnologia e medicina para as grandes massas, esta necessidade do sangue para o vampiro, sofreu suas modificações. Em alguns livros essa necessidade for a relacionada a quadros anêmicos, hipovolemia, entre outros. Até no Dracula, de Bram Stoker, temos como citação uma transfusão de sangue feita em Lucy, uma vampira, no intuito de purificar seu sangue.
    Sangue é o que anima um vampiro, o que dá a este sua vitalidade, sendo que pode ser oriundo de um animal ou mesmo de um ser humano. Para exercer qualquer movimento ou atitude o vampiro necessita deste, pois o coração o bombeia para a região que está em atividade. Devido a isso sua voracidade em obter tal sangue pode ser relacionada a uma fera buscando sua presa. Anne Rice, já dizia em seus livros que tal busca pelo sangue pelo vampiro funcionaria como uma maldição ou um demônio que os faz agir de
tal forma, tão impulsivo, tão violenta.

PRESAS
   Como anteriormente citado, o vampiro necessita obter sangue para sua sobrevivência, sendo assim, fora observado e citado em livros técnicos ou mesmo romances, a adaptação morfo-fisiológica para a obtenção deste sangue, que viria de uma adaptação em sua arcada dentária, com o alongamento de seus caninos, que podem ser projetados, para que assim, o vampiro possuísse maior facilidade em atingir a veia jugular no pescoço de sua vítima. O sangue também pode ser obtido via artéria radial.

UNHAS
   Na História Antiga, acreditava-se que um dos sinais característicos em um corpo, se este era ou não um vampiro, eram suas unhas. Acreditava-se que com a entrada ao mundo vampírico, a criatura perdia suas antigas unhas e desenvolviam novas, assim, corpos exumados, em tal época, que apresentavam unhas resistentes, que mesmo o corpo inteiro sendo consumido pelo fogo, estas unhas se apresentassem inteiras, estes sofriam logo a introdução de uma estaca em seu peito e eram colocados a luz do sol para serem queimados.
Já nos tempos modernos, dois grandes literatos citaram modificações nas unhas vampíricas, Anne Rice, citava seus dois famosos vampiros, Lestat e Louis, com modificações em suas unhas, sendo estas grossas, afiadas, e opacas. Já em Dracula, Jonathan Harker cita as unhas de dracula como sendo longas, finas e extremamente afiadas.

SENTIDOS
    A visão de um vampiro é impressionante. A história relata que por serem criaturas tipicamente noturnas, seus olhos sofreram modificações anatomo-funcionais, absorvendo melhor a luz do meio. Há correlações também com seu polimorfismo ( capacidade de transformação do vampiro em morcegos, lobos, etc. ). Este desenvolvimento da visão também explica porque os raios de luz solares são tão prejudiciais aos olhos de um vampiro, pois são extremamente irritantes para suas retinas, facilmente danificando sua estrutura.
Quanto a audição, sabe-se que os vampiros possuem uma sensibilidade auditiva extremamente altas, infinitamente maior que a dos humanos, com isso, ele pode perceber a chegada de outros vampiros ou mesmo seres humanos, podendo se preparar para defesa e ou se esconder.

CABELOS
    Na era medieval, não temos nenhum relato quanto aos cabelos de um vampiro, porém Anne Rice, cita em seus livros, que após o ingresso ao mundo vampírico, o vampiro permanece com seu corte de cabelo, não crescendo mais, e mesmo se for cortado, retoma seu tamanho original.
PELE
   Historicamente, a pele dos vampiros era caracterizada como sendo escura e grossa, diferentemente dos dias de hoje, onde o vampiro se apresenta em filmes e histórias com uma pele extremamente branca e fria. A idéia da pele vampírica ser escura surgiu primeiramente com Paul Barber, que justificava tal fato, dizendo que os vampiros eram como corpos degradando em suas criptas, logo deveriam se comportar da mesma forma.
    Porém nos dias de hoje, tal fato é extremamente combatido, pois afirma-se que por serem criaturas tipicamente noturnas, os vampiros não chegam a ver a luz do sol, logo, não ocorre atividade de seus pigmentos responsáveis pelo escurecimento da pele e como conseqüência temos uma pele branca e suave. Pode se também, observar uma pele rosada em um vampiro, oriunda de sangue novo correndo por seu corpo.
Anne Rice descreve a pele do vampiro, como sendo transparente, obtendo a mesma cor da pele do ser humano quando este se alimenta imediatamente de sangue, clareando aos poucos, voltando a sua tonalidade transparente após tal processo. Lestat menciona em diversos momentos o uso de pó, para deixar sua pele com a coloração próxima a de um ser humano.

CORAÇÃO
   Único orgão ainda ativo em um vampiro, sendo que os outros, por não uso, se atrofiam e perdem sua utilidade. O coração funciona como uma bomba, porém, diferentemente do ser humano, não possui ritmos característicos. O coração de um vampiro perde seu controle nervoso e seus marca-passos naturais não tem mais atividade. O coração só funciona se for necessária alguma movimentação, atitude ou reflexão. Para isto, ele é responsável por enviar o sangue apenas para área em uso, assim, o gasto de sangue é muito menor e o consumo,
conseqüentemente, também diminui.

REPRODUÇÃO
    A reprodução vampírica não se dá com membros da mesma espécie. A relação sexual, com gravidez, só ocorre quando um vampiro do sexo masculino, se relaciona com um ser humano.
    Esta mulher vai conseguir captar o líquido seminal deste vampiro e desenvolver uma gestação normal, porém, seu filho terá algumas características diferenciadas, como sentir aonde os vampiros se escondem, saber diferenciar um ser humano de um vampiro, força extremamente grande, agilidade, entre outras.
    Tais características são transmitidas geneticamente, geração a geração, podendo estes, se transformarem em exímios caçadores de vampiro.
    Tal reprodução já era relatada desde a idade média, onde acreditava-se que os vampiros, se aproveitavam de sua sensualidade e força para possuir mulheres como amantes.

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