sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A Prisioneira - Em Busca da Doce Morte













Morrendo aos poucos

Sufocada por algo que nem sei o que é.
A vista turva, nada mais tenho
à minha frente
Apenas seu olhar preso ao meu.
Seu desprezo…
Senti a dor naquele momento, e sei que
pôde senti-la também…
Mas nem se importou.
Você só se preocupa com suas convenções imbecis.
Pouco me importa seu jeito arrogante.
Já me cansei de você e seu mundinho,

de todos que nele vivem,
todos porcos como você.
Cansei de viver em sua lama.
Quero morrer pra essa vida e encontrar outra melhor.
As marcas denunciam que andei atentando contra mim…
“Apenas cortes superficiais e vergões” digo eu…
Mas esses cortes são muito mais profundos
Por que se refletem em minha alma.
Essa dor que sinto é algo que me dilacera
Algo que me mata mais do que qualquer corte que eu faça
Por que o sangue que jorra de cachoeira dessa ferida é invisível a olho nu
É necessário que se ponha os óculos do coração para enchergá-lo.
E é esse o perigo.
Esse sangue, sendo perdido lentamente, mata muito mais rápido do que se perdessemos esse fluido vermelho que passa por nossas veias.
Sinto meu corpo mole, parece-me que morro de verdade
Mas não…
É apenas uma peça que o destino me prega…
Uma peça que meu próprio corpo me prega…
Essa sensação de liberdade assistida…
É como se fosse um passarinho preso em uma gaiola, e abrissem a portinhola
Mas quando eu tento fugir, colocam uma redinha, que não me deixa passar.
A colocam na porta, para que eu chegue a sair,
mas fique presa ali, do lado de fora.
Sinto a liberdade próxima, quase a toco com minhas mãos
Mas sou sugada para essa triste realidade novamente.
“Força” dizem uns, mas eles não sabem…
Não entendem…
Nem poderiam…
Minha vida é como um labirinto, nem eu achei ainda o caminho certo.
Vivo em becos escuros, ruas sem saída…
Mas nunca tenho como voltar atrás.
Sempre que tento é como se pisasse em cacos de vidro que
entram em minha pele, músculos, chegando aos ossos e os cortando também.
Sinto agora tudo desaparecer de minha mente.
Apenas sua lembrança
Sempre viva.
Suas palavras…
O fogo ainda me queima, ainda me consome…
Às vezes chego a pensar que esse é o fogo do inferno…
Mas descobri que o inferno é a terra…
E que a morte não é feia, não tem foice, nem capa escura…
A morte é um lindo anjo de asas negras, que nos livra do sofrimento.
Você, preso em seu mundinho pútrido e fétido não pode compreender
a leveza disso tudo.
Jamais.
Mas eu vejo
Vejo muito além do que seus olhos limitados podem ver.
Muito mais do que qualquer um que conhece.
Talvez você nunca seja livre, pois para ser livre é necessário quebrar as correntes
E você já está tão habituado a elas que chega a pensar que nasceu assim…
É incrível o que as ideologias não fazem com um ser humano.
Se é que você algum dia foi humano.
Mais parece que nunca teve vida.
Parece uma marionete mestra que coordena todas as outras.
Mas eu não sirvo mais ao seu teatrinho de fantoches…
De absurdos…
Onde monstros fingem ser humanos e só nos fazem sofrer.
Só quero minha liberdade…
Deixe esse pobre pássaro voar livremente…
É só isso que lhe peço…
Não quero mais nada…
Vejo as cascatas rubras, mas, elas não saem de mim…
Saem?
Não… Não ainda…
Mas quem sabe um dia não saiam?!
Nunca se sabe…
É… nunca se sabe mesmo…
Nunca se imagina quando alguém vai te trair…
Trair tudo o que você acredita…
E te mostrar que o tempo todo você esteve enganada…
O tempo todo…
O tempo…
Todo…
Engraçado…
A única certeza que temos na vida é de que a morte chegará um dia.
E a minha está próxima…
Sinto isso a cada mágoa…
A cada pedaço do meu coração que vejo cair…
A cada suspiro que deixo de exalar…
A cada dia que tenho de apenas existir…
Simplesmente pelo fato de ainda ter alguém que vá sentir minha falta.
Bem, pelo menos pelo que sei…
Espero que não sinta tanto quando me for…
Espero que não queira ir também…
Já basta um demônio no inferno
Mais de um, o diabo enlouquece.
Mas quem sabe se não é possível?
Talvez…
Não sei…
Nunca sei…

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