sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os outros…



       Quando eu e Marcus chegamos à porta do barracão sentimos o cheiro pútrido, cheiro de morte, mas o causador disso não estava. Pelo menos foi o que nos disseram. O Barracão ficava em um local afastado de tudo e todos, literalmente no meio do nada. Pegamos a Bandeirantes e seguimos por mais de 1 hora até achar a antiga Granja Ito.
      Eu empurrei a porta de madeira que rangia nas dobradiças e soltava algumas lascas sob meus braços estendidos. Marcus veio logo atrás e o que vimos, embora sejamos considerados monstros, foi horrível até para nós.

_ Esse outro caprichou nos requintes de crueldade mesmo – Marcus observa um corpo decapitado que balançava em uma corrente presa em uma viga de madeira, pendurado pelas pernas , com as não amarradas atrás das costas. O sangue pingava mais grosso em uma bacia logo abaixo dele.
_ Ele é cruel… mesmo para nós isso não pode existir – Valek ampara o corpo olhando para cima, tentando adivinhar alguma maneira de tirá-lo dali. – Temos que sumir com esse corpo.
_ Ah, Valek… Valek… concordo que isso seja crueldade, mas você tem que deixar seu lado sentimental de lado. O homem não sente mais nada. Não há motivos para que enterremos o pobre homem.
_ Mas se o deixamos aqui, pensarão que foi um psicopata que fez isso? Embora AINDA não saibam nossa existência, este ser com certeza quer se deixar ver, aparecer, causar pânico e perseguições… Conseqüentemente sofreremos com isso. Ajude-me a descê-lo – Valek usa sua habilidade vampírica e sobe no madeiro, desamarrando a corda enquanto Marcus segura o corpo.
_Você tem razão, esse desgraçado tem que ser encontrado e destruído, porque pode nos causar problemas futuros. Mas o que me intriga mais é… onde ele estaria nesse exato momento.
      Valek faz um sinal com o dedo na boca, pedindo silencio para o amigo – Marcus, está escutando algo?
_ Agora que disse – Marcus responde baixo, num tom inaudível para humanos. Com certeza é um novato, desastrado…
     Valek faz um sinal para que eles se escondam e observem quem é o assassino. Eles agilmente se escondem sobre as vigas de madeira, em um canto escuro usando a visão vampirica para ver um homem de mais ou menos 1,80 de altura, cabelos curtos, escuros empurrar a porta de madeira deixando a luz de fora entrar e iluminar o chão empoeirado. A porta fecha atrás dele, que percebe que o corpo não está mais pendurado. Por um instante ele olha em volta, mas nada percebe.
      Marcus desce agilmente atrás dele passando os braços por baixo dos dele estendendo as mãos em seu pescoço, imobilizando-o.
_ Novato! O que está pensando? Quem é você? Tá querendo nos ferrar?
      Ele não tem forças para reagir, apenas se debate.
Valek desce à sua frente fitando-o…
_Qual seu nome? Quem te criou?… Marcus, não o aperte tanto, senão acaba matando ele.
      O novato apenas geme e se debate.
_Valek, parece que não vamos conseguir muita coisa além disso – Marcus solta o novato que tenta fugir, mas é lento demais. Marcus agarra-o novamente, cravando seus dentes no pescoço dele.
Imagens começam a invadir a mente de Marcus enquanto ele suga a vitae do outro vampiro…    Tudo vem à tona. Ele sempre foi um estupadror, psicopata, que deliciava-se com a dor das vítimas que ele fazia. Ficou preso muito tempo depois que conseguiram associar ele a uma série de assassinatos que o fizeram ficar conhecido como Vampiro do interior, porque ele costumava beber o sangue ou comer pedaços de carne delas. Anos depois da prisão foi levado para um manicômio, de onde saiu porque “estava curado” segundo os médicos.
      Mas, o que intrigou Marcus é que não conseguiu ver quem deu o dom negro para esse psicopata. A imagem é escura, turva…
      Marcus solta o corpo do vampiro no chão ainda golfando um pouco de sangue pela ferida do pescoço.
_ E então Marcus?
_ Descobri apenas o óbvio. Ele era um psicopata, mas nada de quem o soltou na noite. Temos mais essa agora. Quem está fazendo isso? Dando o dom negro sem orientação, sem restrição?
Continue acompanhando…
      Uma mosca na minha sopa
um conto especial para a Sexta-feira 13 de lua cheia
por Adriano Siqueira
- Alexandre! Você vai perder a hora de novo!
      Minha mãe sempre foi muito rigida quando o assunto é escola mas, hoje era um dia especial. Era sexta-feira 13.
      Hoje finalmente terei meu presente. Faço 18 anos e na nossa família, quando chegamos nesta idade, nos transformamos em criaturas sobrenaturais.
      Meu pai é um feiticeiro e as suas mãos são feitas de galhos de árvore.
      Minha avó e meu avô são duendes e usam muito a sua magia para entender o mundo e ajudar os necessitados. Claro que eles tem um pote de ouro guardado no sótão da nossa casa.
      Minha irmã é uma vampira. Tem 23 anos e vive caçando seus namorados que geralmente não se encaixam na sociedade.
      Minha mãe é uma bruxa. Isso ajuda muito na limpeza da casa, garanto!
É estranho. Nunca sabemos qual ser sobrenatural seremos, mas uma coisa é certa, na primeira Sexta-feira após ter feito 18 anos eu serei um deles e hoje o dia era meu.
      Todos estavam na mesa do café da manhã alegres e esperando o meu presente de transformação que chegará com o decorrer do dia.
      Olho o café com as bolachas e as torradas. Meus olhos começam a arder e fico olhando a comida sentindo finalmente que ocorre o primeiro passo para a mudança.
      Eu vomito em cima da mesa e a comida fica como se fosse uma pasta. Todos que estão lá ficam me olhando preocupados com a primeira mudança que estava acontecendo. Eu tentava falar mas a saliva da minha boca era tão grossa que parecia estar mascando muitos chicletes ao mesmo tempo. A mesa queimava. O vômito parecia ácido e eu estava me alimentando com o cheiro.    Estava me sentindo satisfeito com o odor. A minha lingua, que agora estava parecendo um canudo sugava toda a comida da mesa.
      Usei o gardanapo para limpar a boca deste delicioso café da manha mas, outra mudança estava acontecendo. Minha orelha caiu na mesa. Logo em seguida meu nariz e algumas partes da minha pele iam saindo do meu corpo como uma casca. Braços começam a crescer. As asas saem das minhas costas. Tento gritar mas minha lingua estava grudada na lingua que era maior como um canudo.
      Finamente eu vi que minha família tinha um cheiro muito bom. Seria um verdadeiro banquete.

      Quando eu estava perto de pegar minha primeira vítima a minha irmã vampira puxou minhas asas e fui golpeando com um mata-moscas gigante e disse:
- Se comporte menino. Vai logo pegar a sua mochila ou vamos perder a primeira aula.

2 comentários:

Goticus Eternus disse...

Saudações seja bem vinda(o), estarei colocando seu link nos parceiros, agradeço a tua divulgação, estou a seguir este belo espaço, convido-te a seguir o G.E até breve !!!!!

† A Dangerous Mind ┼ disse...

Olá, já estou te seguindo.
Gostei do seu blog e depois
passarei para comentar.bjos